03 maio 2009

A Cura da Solidão

Quando nos encontramos diante de um problema de dificil solução e não temos com quem discutir prováveis saídas, então, a solidão se nos abate. Logo um círculo vicioso se instala e o problema parece tornar-se ainda maior e entregamo-nos a pseudo-soluções, quando não à depressão.
Reagir é o primeiro passo. Dimensionar o problema corretamente e buscar a solução, ou então esperar que ele se diluia nos acontecimentos da vida. Na maioria das vezes o problema nem existe. Nós o imaginamos. Antecipamos o problema. E nesse caso, o melhor mesmo é esperar que ele surja concretamente.
Enquanto isso, escrever sobre os próprios sentimentos em relação ao que pensamos ser um problema é um método infalível. Confiar no papel, na caneta, no teclado e na tela de um computador. Escrever o que o Espírito dita e ler.
Pode agradecer, ao Espírito... claro.

01 janeiro 2006

O EXERCÍCIO DO MOMENTO PRESENTE

A felicidade é sempre parcial e é um estado de emoção. Um sentimento. É portanto vivida, experimentada no momento presente, e só nele. Não se pode viver agora um sentimento futuro, ou que tenha sido vivido no passado.

Significa que felicidade não pode ser encontrada fora do agora, do momento presente.

O momento presente é um dado. Quer dizer, a felicidade não é conquistada embora muitas vezes possa parecer o resultado de uma conquista. Nesta circunstância chamamos a esse momento dado de "realização". Que é na verdade uma ilusão da felicidade plena. A felicidade está no dado do momento presente qualquer que seja o dado. Só é preciso aprender a senti-la, experimentá-la.

A felicidade plena, absoluta, a Felicidade, é um atributo de Deus, portanto é Ele mesmo, isto é, Espirito Santo.

A felicidade como a conhecemos é uma analogia de Deus, por consequência. É a face analógica do Espírito que só pode ser encontrada, por acidente ou com treinamento, no momento presente dado. A oração é um poderoso recurso.

Aquele que busca a Deus busca a Felicidade e vice-versa.
Impossível de se conhecê-la à plenitude porque é Deus.
Só por analogia com a felicidade parcial, pelo encontro misterioso com Deus no momento presente dado. No aqui e agora.

Deus não está no futuro, nem no passado. Nem perto, nem longe. Está aqui, agora. E Dele não se pode conhecer a face como realmente é, só como que por um espelho. Está aqui e agora, e apesar disso, o "sentimento" da Sua presença é virtual. É a Graça, o Êxtase. Muito melhor que nada.

Louvado seja Deus! Para sempre.

O MONGE

Deus existe mas parece que não existe. Por que?
Porque esperamos que Ele se manifeste concretamente e isso parece não acontecer.
Pensar em Deus, ou melhor, pensar Deus é aprofundar-se nesse Mistério.
Como esperamos que Deus se apresente na forma semelhante à nossa ficamos a ver navios.

Se Deus é Amor e vice versa, é na forma de Amor que Ele se apresenta. Mas o Homem cultua Deus à moda de Michelângelo, i. é, um velho de barbas brancas cheio de vida e poder, sobre as nuvens, e esquecemos de notar que esse velho como tal é o Amor humanizado.

Oramos para Deus e não oramos para o Amor, porque parece que o Amor não está fora de nós. Até está, mas como esperamos a ação de Deus a partir Dele mesmo não pensamos em Deus a partir do Outro. Queremos Dele um milagre e não acreditamos que esse milagre possa vir do Outro. Do Amor que está no outro. Isso porque não acreditamos no Amor no Outro, que é o mesmo que duvidar que Deus existe.

O drama se instala porque fazemos uma imagem falsa de Deus. Porque idolatramos um deus por nós criados e não amamos Deus Ele mesmo como Ele é, ou quem Ele é. Adoramos um ídolo que nos foi incutido por medo, ignorância. Adoramos um deus estratégico resultado da elaboração de filósofos e religiosos.

Não oramos para o Amor porque nos foi ensinado que o amor é um sentimento. Ora, Deus não é um sentimento porque os sentimentos são menores que Deus, porque são humanos. E Deus não pode ser igualado a algo menor que Ele. Então, o Amor não é um sentimento.

Como orar para o Amor? Como pedir para o Amor? Como dirigir o olhar, a palavra, o coração para o Amor, se a referência mais próxima que temos do Amor é o que chamamos de sentimento, no qual não acreditamos como acreditamos no deus inventado, e sendo esse sentimento é menor que o Amor?

Dirigir-se a Deus sem dirigir-se ao Amor é idolatria. Dirigir-se ao Amor como sentimento é blasfêmia.

O sentimento que chamamos de amor tem forma, tem imagem. Mas Deus é absolutamente invisível e infinito, e portanto não tem forma nem imagem. O sentimento que chamamos de amor é uma vaga analogia do Amor. O orgasmo do sexo também, mais efêmero ainda, por isso dizemos "fazer amor" quando nos referimos à copula. No entanto, as analogias de Deus são importantes porque através delas reverenciamos Deus. Mas reverência não é adoração.
Orar é adorar.

Somemos todas as analogias de Deus que pudermos, como caridade ao próximo, generosidade para com o outro, magnânimidade, amor fraternal, paternal, maternal, beleza, pureza física e moral, e tudo o mais que se assemelhe, e teremos uma analogia razoável do Amor. E veremos a Deus como por um espelho tosco, como afirmou São João. É para essa analogia visível que oramos. Para ela e mais para o invisível maior que pudermos imaginar a partir dela, sem esquecer que toda analogia visível é nada mais que sentimento e que, se tendermos apenas para ela, então não oramos, não adoramos. Idolatramos.

Jesus de Nazaré, o Cristo é o Caminho para Deus. Porque ele é aquele que se assemelhou a nós e que conheceu o Amor por inteiro e de fato. Jesus não é uma analogia. Ele é. Por isso é justamente considerado Deus. Porque é o Amor. Por isso podemos orar para Ele com sua imagem humana que conhecemos. Mas não temos alcance para vermos sua imagem divina por inteiro. Esta só a teremos em "sentimento", que só não será um ídolo se abrirmos espaço para o infinitamente transcendente de Cristo.

27 novembro 2005

DOGMA

O que está na Bíblia, Alcorão, Bhagavad Gita, etc, o que está lá está segundo o grau de proximidade de cada um com Deus.

Deus não é menor que nenhum dos seus atributos, nem maior. Porque se fosse menor, logicamente não seria Deus e se fosse maior não poderia ser reduzido a algo menor que Ele mesmo. Isto quer dizer que Deus é tudo o que se Lhe atribui, e a recíproca é verdadeira, i. é., tudo o que se atribui a Deus é Deus, Ele mesmo.

Exemplo: nada é mais belo que Deus.

Então Deus é a Beleza. Logo a Beleza é Deus. A Beleza não é aquilo que o senso comum conceitua. É mais, tão mais e maior que é impossível imaginá-la à sua plenitude. Assim como todo atributo de Deus. Tudo o que se refere a Deus é impossível de se imaginar em plenitude, daí porque não se pode erigir imagens de Deus. Estas sempre reduzirão a Sua dimensão.

Deus é Amor, logo o Amor é Deus. Isto significa que o Amor é Espírito e não sentimento ou emoção como quer o senso comum.

Essa é a prova mais simples da existência de Deus. Embora não possamos ver o Amor exatamente como Ele é, sabemos que existe, por aproximação, dedução lógica, análise matemática.

A Bíblia, o Alcorão, o Bhagavad Gita, etc, retratam Deus por aproximação da Sua imagem. Todo Livro considerado sagrado é isso. Uma aproximação da imagem de Deus segundo a cultura dos homens.

Cada um os interpreta como pode, até onde seu intelecto o permite, ou até onde a Graça Divina deseje. Os mais tímidos entregarão essa interpretação aos seus guias espirituais, aos seus líderes religiosos. Assim nascem os catecismos das diversas religiões e seitas.

A Inteligência e a Sabedoria são Deus. São Espiritos Santos porque Deus é Santo.

Está escrito no Antigo Testamento que o Homem deve criar-se e multiplicar-se à sua imagem e semelhança.
Isso quer dizer que a procriação biológica pode resultar em desobediência divina, pecado, se ela não tiver como fim último a procriação de semelhantes a Deus, ao Espírito Amor, Espírito Santo.
A Deus não interessa um planeta super povoado de ateus.

Por outro lado a procriação no Espirito Santo não depende da procriação biológica. Filhos santos de pais adotivos são mais agradáveis a Deus que filhos ateus de pais biológicos, ainda que estes sejam dedicados à religião e sustentem ter fé em Deus. Também são mais agradáveis a Deus os filhos santos de pais ateus do que filhos ateus de pais santos. Portanto, a procriação no Espírito é que é a única obediência legal e santa do mandamento da criação e multiplicação.

Deus criou o homem e a mulher para povoar um planeta vazio. O planeta agora está lotado, principalmente de ateus ou pseudo-crentes, e, portanto a procriação biológica passa a segundo plano deixando a primazia da procriação para o Espírito Santo. Porque o planeta ainda está muito pouco povoado de santos.

Todo aquele que defender a procriação biológica, que já é natural, sempre o fará em detrimento da procriação espiritual. Esta sim deve vir em primeiríssmo lugar. Porque Deus quer filhos santos, legítimos e verdadeiros.

A procriação como responsabilidade exclusiva da união entre homem e mulher caducou diante da evidência de que agora, o que o Amor espera dos homens é a procriação no Espírito. Responsabilidade essa que cabe a todos e a qualquer um, independentemente do gênero dos pais.

22 setembro 2005

Deus existe - PROVA

Há duas provas diretas:

1.

Quantos homens passaram pela Terra desde o princípio até hoje? Centenas de bilhões? Trilhões?

Não existiu nem antes, nem depois Dele, ninguém como Jesus de Nazaré.
Ninguém tão grandiosamente amoroso. Ninguém tão Amor. Ninguém tão santo.

Tão grande que refutou a Lei do Talião com o argumento mais poderoso. "Dá a outra face".
Jesus foi e é Amor. Por isso não se vai a Deus senão por Ele. Por isso Ele é o Caminho.

Porque Deus é Amor.

Esse ser único entre os homens reconheceu com a própria vida que Deus existe. O Seu Pai.
O Amor Pai do Amor vivo, humanizado em Jesus. Então, Deus existe.

2.

Deus é Amor.

O Amor não é menor que Deus porque Deus não poderia ser igualado a algo menor que Ele, e, Deus não é menor que o Amor ou não seria Deus.
Então, o Amor é Deus.

Como todo mundo sabe, o Amor existe. Todo mundo vê.

Logo, Deus existe.

c.q.d.

18 setembro 2005

ORAÇÃO

O que é orar? Pedir, agradecer, desabafar, louvar, prometer? Tudo isso e mais.
Orar é colocar as emoções e os sentimentos diante de Deus, para Deus.
Com, em, por, de, para Deus.
Orar é antes de tudo afirmar-se crente e como tal, pertencente a Deus.

Ser Dele. Mesmo que possa parecer que Ele não quer.

Orar é o único Poder Humano porque só depende da vontade do Homem. E é a única forma de reconhecer Deus como o único Poder. É o único contrato.

É na oração que se É. Que maravilha! Deus disse: Eu Sou. Na oração eu também Sou. Logo, a oração me põe em Deus.

É por isso que existem os mosteiros e conventos. É o Homem querendo Ser. Porque ali a oração é o princípio, o meio e o fim.

É imprescindível ter fé para orar e é imprescindível orar para ter fé.

A oração se apresenta em fórmulas e contra-fórmulas. É silenciosa mas pode não ser. É muda ou não. É a qualquer hora, em qualquer lugar. No jejum é a toda hora e em todo lugar. No trabalho, no ócio. E não é preciso interromper nem um, nem outro. É durante, e de preferência, fazer de qualquer ato uma forma de oração.

Deus se apresenta durante a oração. Este texto é uma oração.

Quando se ora assim, junto de outro, o poder se multiplica na razão direta dos participantes.

Oremos.

PENITÊNCIA

Penitência no conceito corrente envolve a idéia de pagar por um erro. Daí a palavra "penitenciária". Auto flagelação sob a ótica religiosa. Expiação dos pecados. Um conceito mais amplo e moderno implica no conhecimento do conceito contemporâneo de "caridade".
Enquanto a caridade tradicional é dar por temor a Deus, a autêntica caridade é doar expontâneamente por puro gosto e prazer, em perfeita sintonia com o divino, em Deus.

Já a penitência é a caridade contra a vontade. É a caridade com sofrimento, sacrifício, "pena". É um exercício para o desenvolvimento da estamina moral. Quer dizer, é um aprender a dar, apesar da dor, para internalizar o gesto e, sem travestir, transformar a dor em prazer. Muito difícil, mas não há como se chegar a viver a caridade autêntica sem passar pelo aprendizado da penitência ampla.
O egoísmo é da natureza animal, é mecanismo de sobrevivência.

Ainda é verdadeira penitência manter-se longe do prazer pessoal - a menos do prazer pessoal que a caridade genuína traz. Porque quando se dá algo a si mesmo falta-se de dar ao outro. Que é a própria penitência. I.e., fere-se a penitência ao cuidar-se de si mesmo. Significa que em estado de penitência eu não existo, só o outro.

Então, penitência é serviço.

Este blog é um ato penitencial, por isso logicamente é assinado, o Penitente.

Contudo, é preciso estar alerta ao oponente principal da penitência. A vaidade.

Diferentemente do jejum que é atacado pela gula disfarçada de necessidade, a penitência liberta nosso orgulho e vaidade, porque gera força imediata no penitente. Não é difícil experimentar uma sensação de superioridade já que o estado geral do outro não é de penitência. Ardilosa, a vaidade engendra armadilhas contra a humildade que deve acompanhar a penitência. A vaidade causa falsa sensação de alívio da dor provocada pelo ato penitencial. Toma assim o lugar da humildade, esta sim, o lenitivo perfeito.

JEJUM

Tem-se como significado corrente para jejum, a abstinência de alimentos. Mas jejum é algo maior que isso. Pense no jejum com ENTENDIMENTO mais amplo: a parcimônia na absorção de tudo que te envolve, na ingestão do teu entorno.


Na ânsia de digerir a vida, tudo é alimento. Da emoção positiva do outro até o pôr ou nascer do sol, tudo vira comida. O homem é como um buraco negro que suga tudo que se aproxima e expele tudo o que seu organismo rejeita.

O verdadeiro jejum deve de ser visto sob a perspectiva da gula pela vida.

No verdadeiro jejum deve ser absorvido só o estritamente necessário para o momento seguinte. Seja alimento, seja informação, tudo o que for passível de captação.

Para além da austeridade em captar, o legítimo jejum tem também o seu reverso . Assim como o organismo absorve tudo o que pode, rejeita em si tudo o que não convém. Vomita o que não lhe presta. No verdadeiro jejum, para tudo o que se expele observa-se um critério. Somente o que é indispensável a todo o OUTRO é o que pode ser "expelido" em sua presença. Para que isso ocorra, é preciso consumir o estritamente necessário afim de que não se produza dejetos indesejáveis, e poder expelir de si aquilo de que o outro prescinde e se aproveita. Imagens, palavras, gestos, emoções, a si mesmo. O dejeto indesejável deve acontecer na contrição* para que não intoxique o outro.

Ficar sem se nutrir absolutamente, por completo, só cabe pelo tempo o bastante para uma desintoxicação de choque. De 24 a 48 horas de abstinência bastam. Isto é bom para se ter clareza quanto ao que se vai absorver até que o jejum verdadeiro acabe. Pode-se e é desejável voltar à abstinência total periodicamente, sempre que necessário, dentro do mesmo jejum.

O jejum de Jesus, o Cristo, precisou de quarenta dias, não porque quarenta dias estavam predeterminados mas porque ao cabo do 40º dia os anjos lhe serviram.
O jejum verdadeiro não tem data para terminar. Acaba quando se é servido por Deus daquilo que urge. Acaba com o término da angústia. Termina na Plenitude.


*contrição - é o reconhecimento do lixo que carregamos e que eliminamos a sós, em silêncio e em ambiente isolado. E esse ambiente também deve ser limpo. Os religiosos chamarão ao ato: purificação. Os clínicos de esterilização da área de operações.

03 setembro 2005

Apresentação
















Minha velhice não chegará bem se eu não te servir. Fala comigo, apresenta o teu problema e eu te apontarei a solução.