18 Setembro 2005

PENITÊNCIA

Penitência no conceito corrente envolve a idéia de pagar por um erro. Daí a palavra "penitenciária". Auto flagelação sob a ótica religiosa. Expiação dos pecados. Um conceito mais amplo e moderno implica no conhecimento do conceito contemporâneo de "caridade".
Enquanto a caridade tradicional é dar por temor a Deus, a autêntica caridade é doar expontâneamente por puro gosto e prazer, em perfeita sintonia com o divino, em Deus.

Já a penitência é a caridade contra a vontade. É a caridade com sofrimento, sacrifício, "pena". É um exercício para o desenvolvimento da estamina moral. Quer dizer, é um aprender a dar, apesar da dor, para internalizar o gesto e, sem travestir, transformar a dor em prazer. Muito difícil, mas não há como se chegar a viver a caridade autêntica sem passar pelo aprendizado da penitência ampla.
O egoísmo é da natureza animal, é mecanismo de sobrevivência.

Ainda é verdadeira penitência manter-se longe do prazer pessoal - a menos do prazer pessoal que a caridade genuína traz. Porque quando se dá algo a si mesmo falta-se de dar ao outro. Que é a própria penitência. I.e., fere-se a penitência ao cuidar-se de si mesmo. Significa que em estado de penitência eu não existo, só o outro.

Então, penitência é serviço.

Este blog é um ato penitencial, por isso logicamente é assinado, o Penitente.

Contudo, é preciso estar alerta ao oponente principal da penitência. A vaidade.

Diferentemente do jejum que é atacado pela gula disfarçada de necessidade, a penitência liberta nosso orgulho e vaidade, porque gera força imediata no penitente. Não é difícil experimentar uma sensação de superioridade já que o estado geral do outro não é de penitência. Ardilosa, a vaidade engendra armadilhas contra a humildade que deve acompanhar a penitência. A vaidade causa falsa sensação de alívio da dor provocada pelo ato penitencial. Toma assim o lugar da humildade, esta sim, o lenitivo perfeito.